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Jornal da Paróquia
Como é do conheimento geral, todos os meses (há 35 meses!!!) que sai o jornal da Paróquia. Já se encontra disponível o numero de Abril de 2011.
Para isso, basta clicar aqui.
CARTA DO CARDEAL-PATRIARCA DE LISBOA
AOS SACERDOTES E ÀS COMUNIDADES CRISTÃS DO PATRIARCADO DE LISBOA
ACERCA DO ANO SACERDOTAL
Rev.mo Senhor,
1. O Santo Padre Bento XVI proclamou, para toda a Igreja, "um especial Ano Sacerdotal". Relembremos as próprias palavras do Papa, no seu discurso à Assembleia Plenária da Congregação para o Clero, em 16 de Março de 2009: "A grande tradição eclesial desvinculou, justamente, a eficácia sacramental da situação existencial concreta de cada sacerdote, salvaguardando, assim, as legítimas expectativas dos fiéis. Mas esta justa especificação doutrinal nada tira à necessária, aliás indispensável, tensão para a perfeição moral, que deve habitar cada coração autenticamente sacerdotal.
Precisamente para favorecer esta tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual, da qual depende também a eficácia do seu ministério, decidi proclamar um especial “Ano Sacerdotal”, que irá de 19 de Junho próximo, ao dia 19 de Junho de 2010. Efectivamente celebra-se o 150º aniversário da morte do Santo Cura d’Ars, João Maria Vianney, verdadeiro exemplo de pastor ao serviço da Grei do Senhor. Será tarefa da vossa Congregação, em sintonia com os Ordinários diocesanos (…) promover e coordenar as várias iniciativas espirituais e pastorais que parecerem úteis para compreender cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporâneas”.
Estas palavras do Santo Padre encerram um dinamismo programático.
Um objectivo claro: tomar consciência da exigência de perfeição espiritual e moral que brota do ministério sacerdotal, tendo consciência de que a fecundidade pastoral desse ministério depende, em grande parte, dessa resposta espiritual, embora não dependa dela a eficácia salvífica dos sacramentos para os fiéis que os recebem, pois essa é fruto da própria acção salvífica de Cristo que eles representam.
Uma ocasião sugestiva: os 150 anos da morte do Santo Cura d'Ars.
Uma actualidade pastoral: compreender cada vez mais a importância da missão dos sacerdotes na Igreja e na sociedade contemporânea.
Um contexto indispensável: mais à frente, Bento XVI afirma: "A missão do presbítero realiza-se na Igreja. Esta dimensão eclesial, comunional, hierárquica e doutrinal é absolutamente indispensável para toda a missão autêntica e a única que garante a sua eficácia espiritual".
Por sua vez, o Prefeito da Congregação para o Clero pede às dioceses de todo o mundo que estabeleçam um programa concreto para a vivência deste Ano Sacerdotal. Esta é a razão de ser e o objectivo desta Carta.
2. Tenhamos presente a maneira como o Concílio Vaticano II define a Diocese: "Uma diocese é uma porção do Povo de Deus confiada a um Bispo para que, com a ajuda do seu presbitério, seja o seu pastor. Assim a diocese, ligada ao seu pastor e por ele reunida no Espírito Santo, graças ao Evangelho e à Eucaristia, constitui uma Igreja Particular, na qual está verdadeiramente presente e actuante a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica" (C.D. nº11).
O “Ano Sacerdotal” é, assim, um convite para aprofundar o mistério da Igreja que somos, a Igreja de Lisboa, na comunhão universal das Igrejas. No âmago do acontecer da Igreja está o sacerdócio apostólico, do Bispo que é o seu pastor, unido aos presbíteros que com ele participam do sacerdócio apostólico. O objectivo de Jesus Cristo é a Igreja, que Ele uniu a Si, tornando-a Seu corpo e faz participar do Seu sacerdócio, para poder oferecer o Seu sacrifício pascal. Ele quere-a “povo sacerdotal”, capaz de oferecer e de se oferecer. É da Eucaristia que brota a exigência de a Igreja ser una, santa, católica e apostólica. O sacerdócio apostólico existe para que toda a Igreja possa ser povo sacerdotal. O Senhor escolheu, consagrou e enviou os seus apóstolos, dando-lhes poder de O tornarem presente no seio da Igreja que se reúne para oferecer o sacrifício redentor.
Desejo muito que na concepção e concretização deste “Ano Sacerdotal” se evitem dois extremos: o de fixarmos de tal maneira a nossa atenção nos sacerdotes, considerando-os um grupo à parte, isolados do povo sacerdotal. Tudo o que fizermos para descobrir o mistério do sacerdócio apostólico e merecer a santidade dos nossos sacerdotes, devemos fazê-lo em Igreja e com a Igreja. O outro extremo a evitar é o de diluir a especificidade do sacerdócio apostólico na pretensa valorização do sacerdócio comum de todos os fiéis. O próprio Papa nos adverte para este risco: “A centralidade de Cristo traz consigo a justa valorização do sacerdócio ministerial, sem o qual não haveria Eucaristia, e muito menos a missão e a própria Igreja. Neste sentido, é necessário velar para que as «novas estruturas» ou organizações pastorais não sejam pensadas para uma época em que se deveria «renunciar» ao ministério ordenado, partindo de uma interpretação errónea da justa promoção dos leigos, porque, em tal caso colocar-se-iam os pressupostos para a ulterior diluição do sacerdócio ministerial, e as eventuais presumíveis “soluções” viriam a coincidir dramaticamente com as verdadeiras causas das problemáticas contemporâneas ligadas ao ministério”.
3. As concretizações programáticas para a vivência do "Ano Sacerdotal" na nossa Diocese estão a ser preparadas por um grupo por mim designado para o efeito, e serão, em devido tempo, tornadas públicas. Manifesto-vos, desde já, algumas intuições pessoais como vosso Bispo:
* Não se trata de substituir o Programa Diocesano de Pastoral: será, antes, uma perspectiva enriquecedora de quanto aí está previsto, porque a graça própria de um "Ano Sacerdotal", pode enriquecer e exprimir-se em todas as linhas programáticas para a nossa diocese.
* A verdade, qualidade e densidade da celebração eucarística está no centro. É aí que encontramos, na harmonia do mesmo mistério, o povo sacerdotal e os seus sacerdotes. É na Eucaristia que se descobre e aprofunda o dom do sacerdócio. Isto sugere e exige que a celebração eucarística se prolongue na adoração eucarística. Aí se escuta o Senhor e se percebe o chamamento à santidade, dos sacerdotes e do povo sacerdotal. Espero que se reestruture a prática do Sagrado Lausperene, adoração continuada e ininterrupta na nossa diocese e que todas as comunidades encontrem, ao ritmo possível, a prática da adoração eucarística.
* Quando se adora com fé o Senhor na Eucaristia, escutamos melhor a sua Palavra. Só esta nos abrirá o coração para a compreensão deste maravilhoso dom de participação no sacerdócio de Cristo.
* Os sacerdotes são interpelados, durante este ano, a aprofundarem a experiência de oração. Mesmo quando o fazem sozinhos, façam-no sempre em Igreja e com a Igreja. Procuraremos valorizar os retiros anuais e as recolecções organizadas. É minha intenção orientar pessoalmente, pelo menos, um retiro para os nossos sacerdotes.
* Peço aos Movimentos e Associações de Fiéis que organizam habitualmente os seus retiros, que lhe imprimam esta densidade de descobrir, em oração, o dom do sacerdócio. Procurar-se-á organizar dias de oração e retiro para os fiéis que tenham dificuldade em inserir-se nesses retiros organizados.
* O aprofundamento teológico e espiritual do dom do sacerdócio é também necessário. Tanto para os sacerdotes, integrado na sua formação permanente, como para o Povo de Deus, organizar-se-ão momentos de aprofundamento doutrinal.
* Gostaria que se realizassem actividades específicas para as crianças e para os jovens. Peço aos respectivos Departamentos que as imaginem e preparem.
* A Pastoral Vocacional pode ser dinamizada, na sua verdade profunda, na vivência do "Ano Sacerdotal". Quando se escuta o Senhor percebe-se que Ele continua a chamar e que, aqueles que chama, antes de lhes pedir um serviço, lhes comunica um dom, de participação na Sua própria intimidade e missão. O sacerdote é chamado a ser íntimo de Deus. Ouçamos mais uma vez o Santo Padre: "Deus é a única riqueza que, de modo definitivo, os homens desejam encontrar num sacerdote".
4. Aos sacerdotes do nosso presbitério quero garantir que procurarei estar ainda mais unido a eles; é uma continuidade da nossa Assembleia de Fátima. Que São João Maria Vianney nos entusiasme a percorrer os caminhos da santidade que só podem ser os caminhos da doação total ao Povo de Deus, a que fomos enviados como pastores. E escutemos de Maria, a Rainha dos Apóstolos, os segredos do nosso sacerdócio.
Lisboa, 14 de Junho de 2009
† JOSÉ, Cardeal-Patriarca
Mês do Coração de Jesus, mês do amor
O Espírito, pelo dom da Sabedoria divina revela-nos Jesus, realidade viva e presente, e ensina-nos a reconhecê-lo no ministério profundo dos sinais, da Palavra, dos Sacramentos, da oração pessoal e comunitária, da liturgia e dos acontecimentos.
Essa experiência do dom harmonizador do Espírito Santo transforma a nossa vida interior. Provavelmente, sem esta vivência, a nossa vida é a imagem de um puzzle em que as diversas peças soltas, eucaristia e sacramentos, pecado e virtude, oração e desleixo, vontade pessoal e vontade divina, dispersão e silêncio, tranquilidade e revolta, perfeição e desordem, voluntariado e protagonismo, dedicação e egoísmo, não se encaixam, nem dão sentido à nossa vida.
Com a acção do Espírito Santo, que revela no coração aberto, o seu amor sem limites, dá-se o encaixe e unidade de todas as peças. A nossa vida começa a ter o sentido novo.
Mas, não esqueçamos que a Igreja é uma comunidade de pecadores, congregados pela misericórdia divina, redimidos em Cristo Jesus e chamados à Santidade pela obra do Espírito Santo. Então, quando pecamos, novamente desorganizamos esse puzzle. O Espírito manifesta-se e ordena a nossa vida. É a nossa conversão no dia a dia.
O Espírito Santo, experiência em nós do Amor Misericordioso de Jesus, revela-nos o lugar que as coisas devem ter na nossa vida. Ele fortalece-nos e dá-nos a confiança que desconhecíamos.
Ele é que dá fecundidade a uma vida nova de amor nos nossos corações. Ensina-nos a partilhar com os nossos irmãos a experiência do Amor.
O Pároco
Pe. Aníbal Pinto
31 de Maio
Arraial Missionário, em Famões
Apareça no dia 31 de Maio, às 15h00, em Famões e participe!
Este Arraial, é para a angariação de fundos edivulgação dos nossos Projectos Missionários, em particular a "Reabilitação do Internato de Zemba" – Angola.
A partir das 15h00 teremos muita animação, com música e danças tradicionais portuguesas e africanas! Ao mesmo tempo haverá um serviço de bebidas e onde poderemos comer caracóis, chouriço assado e outros petiscos e doces portugueses.
Aparece e traz um amigo. A entrada é gratuita!
Tuala Kumoxi
Apoia a Missão do Projecto
TUALA KUMOXI 2009!
NIB: 00455147 402240279984 1
Diaconado Permanente na Igreja
A figura do diácono na Igreja é documentada desde o início da mesma, remontando, por isso, ao tempo dos Apóstolos.
A tradição, atestada já por Sto Ireneu e que confluiu na liturgia da ordenação, vê o início do diaconado no acontecimento da instituição dos ”sete”, de que falam os Actos dos Apóstolos (6, 1-6).A partir desta instituição dos “sete”, sempre foi entendimento que as principais tarefas dos diáconos deveriam ser relacionadas com o serviço da caridade. Com o evoluir dos tempos foi-lhes associado também, o serviço da palavra, através da leitura do evangelho e da pregação, mas a principal missão sempre foi a do serviço da caridade (serviço das mesas).
Acresce referir que os diáconos são o primeiro grau do sacramento da ordem, que conta ainda com os presbíteros (sacerdotes) e os bispos. Podemos, por isso, dizer que os diáconos encontram-se na base da estrutura hierárquica da Igreja.
São Paulo, nas suas cartas, muitas vezes saúda-os juntamente com os bispos (cf. Fil 1, 1). Na Primeira Carta a Timóteo enumera as qualidades e as virtudes de que devem estar revestidos para poder realizar dignamente o seu ministério (cf. 1 Tim 3, 8-13).
A literatura patrística atesta desde o princípio esta estrutura hierárquica e ministerial da Igreja, integrando o diaconado. Para Sto Inácio de Antioquia uma Igreja particular sem bispo, presbítero e diácono, era impensável. Ele sublinhava como o ministério do diácono não é outro se não “o ministério de Jesus Cristo, o qual antes dos séculos estava junto do Pai e apareceu no fim dos tempos. Com efeito, não são diáconos para comidas ou bebidas, mas ministros da Igreja de Deus”. A Didascalia Apostolorum e os Padres dos séculos sucessivos, bem como os diversos Concílios e a praxe eclesiástica testemunham a continuidade e o desenvolvimento de tal dado revelado.
A instituição diaconal com carácter permanente foi florescente na Igreja Católica até ao século V; depois, por várias razões, conheceu um lento declínio, acabando por desaparecer a figura do diácono permanente no século X e passando a existir apenas como etapa intermédia para os candidatos à ordenação sacerdotal.
O Concílio de Trento dispôs que o diaconado permanente fosse retomado, como era antigamente, segundo a natureza própria, como função originária na Igreja. Mas tal prescrição não chegou nunca a entrar em vigor.
Foi apenas com o Concílio Vaticano II que se estabeleceu que o diaconado pudesse “no futuro ser restaurado como grau próprio e permanente da hierarquia da Igreja..., (e) ser conferido a homens de idade madura, também casados, e bem assim a jovens idóneos, para os quais porém deve permanecer em vigor a lei do celibato”, segundo a tradição constante. As razões que determinaram esta opção foram substancialmente três:
O desejo de enriquecer a Igreja com as funções do ministério diaconal que de outra maneira, em muitas regiões, dificilmente poderiam ser exercidas;
A intenção de reforçar com a graça da ordenação diaconal aqueles que, de facto, já exerciam funções diaconais;
A preocupação de prover de ministros sagrados as regiões que sofriam de escassez de clero.
Estas razões mostram que a restauração do diaconado permanente não quis, de maneira nenhuma, prejudicar o significado, o papel e o florescimento do sacerdócio ministerial que deve ser sempre procurado generosamente mesmo em virtude do seu carácter insubstituível.
Para pôr em prática as orientações conciliares, Paulo VI estabeleceu, mediante a carta apostólica Sacrum diaconatus ordinem (18 de Junho de 1967), as regras gerais para a restauração do diaconado permanente na Igreja latina.
No ano seguinte, com a constituição apostólica Pontificalis romani recognitio (18 de Junho de 1968), aprovou o novo rito de ordenação para as ordens sagradas do episcopado, do presbiterado e do diaconado, definindo também a matéria e a forma das mesmas ordenações, e, finalmente, com a carta apostólica Ad pascendum (15 de Agosto de 1972), definiu as condições para a admissão e ordenação dos candidatos ao diaconado.
Os elementos essenciais destas normas foram assumidos entre as normas do Código de Direito Canónico, promulgado pelo papa João Paulo II no dia 25 de Janeiro de 1983.
Guiadas pela legislação universal, muitas Conferências Episcopais , incluindo a portuguesa, procederam e procedem ainda, com a prévia aprovação da Santa Sé, à restauração do diaconado permanente nas suas nações e à redacção de normas complementares sobre o assunto.
A experiência plurissecular da Igreja sugeriu a norma segundo a qual a ordem do presbiterado é conferida somente a quem tenha recebido previamente o diaconado e o tenha exercido. Todavia, a ordem do diaconado não deve ser considerada como um mero e simples grau de acesso ao sacerdócio.
Um dos frutos do Concílio Vaticano II foi o de querer restituir o diaconado como um grau da hierarquia, próprio e permanente. Com esta atitude, o Concílio promovia-se uma revitalização das comunidades cristãs, tornadas mais conformes às que saíram das mãos dos Apóstolos e que floresceram nos primeiros séculos, sempre sob o impulso do Espírito Santo, como atestam os Actos dos Apóstolos.
O Diaconado Permanente constitui um enriquecimento importante para a missão da Igreja. Uma vez que o múnus que compete aos diáconos é necessário à vida da Igreja, é conveniente e útil que, sobretudo nos territórios de missão, os homens que na Igreja são chamados a um ministério verdadeiramente diaconal, quer na vida litúrgica e pastoral, quer nas obras sociais e caritativas, sejam fortificados por meio da imposição das mãos, transmitida desde o tempo dos Apóstolos e sejam mais estreitamente unidos ao altar, para poder explicar mais frutuosamente o seu ministério com a ajuda da graça sacramental do diaconado.
São funções do diácono para além da sua dedicação à caridade:
Na Missa proclamar o Evangelho e, eventualmente, pregar a palavra de Deus, enunciar as intenções na oração universal, assistir ao sacerdote, preparar o altar e servir na celebração do sacrifício, distribuir a Eucaristia aos fiéis, particularmente sob a espécie do vinho e eventualmente indicar ao povo os gestos e atitudes corporais;
Administrar solenemente o Baptismo, como ministro extraordinário;
Presidir, na falta de padre, o Matrimónio e abençoá-lo em nome da Igreja;
Administrar os sacramentais;
Presidir aos ritos das exéquias e sepultura.
Carlos Miranda
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Notas:
(1) "Por esses dias, como o número de discípulos ia aumentando, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram esquecidas no serviço diário. Os doze convocaram, então, a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém deixarmos a palavra de Deus para servirmos à mesa. É melhor procurardes entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, e confiar-lhes-emos essa tarefas. Quanto a nós entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da palavra». A proposta agradou a toda a assembleia e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicamor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Foram apresentados aos Apóstolos que, depois de rezarem, lhes impuseram as mãos." (Act 6, 1-6).
(2) Nos primeiros séculos da Igreja, era normal ver-se um diácono como responsável pela administração dos bens da Igreja local a que pertencia, por assim se encontrar melhor posicionado para a prática da caridade que sempre acompanhou a missão da Igreja.
(3) Quando nos referimos à literatura patrística, estamos a referir-nos a todos os teólogos que surgiram depois dos Apóstolos e que contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento da teologia cristã.
(4) É a figura dos diáconos de transição para o sacerdócio.
Maio, mês de maria, mês do amor
Jesus na Sua agonia quis entregar-nos como filhos a Maria, Sua Mãe.
Ele sabia que fracos como somos, precisaríamos sempre de uma poderosa intercessão junto d’Ele e também, que seria preciso alguém como nós, para nos chamar ao caminho e avisar permanentemente das nossas fraquezas, dos nossos defeitos, das nossas distracções, da nossa falta de tempo para a oração.
Por isso, logo nesse momento, Jesus, quis deixar-nos como mãe a Sua Mãe, sabendo já que ao longo dos anos A iria enviar ao mundo, para nos avisar e exortar à oração, à piedade, à conversão.
Sabendo e conhecendo o coração de mãe e o coração de Sua Mãe, sabia perfeitamente que ao entregar-nos como filhos a Maria, Esta nunca mais deixaria passar um momento que fosse, sem que intercedesse por nós, colocando-nos permanentemente frente ao Seu amor e à Sua misericórdia.
Jesus conhecia já, que a Mãe lhe iria pedir para visitar os seus filhos, para os acompanhar e avisar dos perigos e obstáculos dos caminhos do mundo.
Sabia bem que a todos Ela estenderia a Sua mão e a todos mostraria o Seu Filho Salvador, na esperança eterna que nem um só dos seus filhos se perdesse.
Jesus conhecia aquele amor de Mãe e sabia que esse amor era inesgotável, pois tinha nascido d’Ele próprio.
Por isso, disse-lhe “ Mãe, entrego-te todos como teus filhos e dou-te um coração imenso onde todos caberão, todos os dias”.
Maria então abriu os braços e disse “ Vinde a mim meus filhos, encostai-vos ao meu peito. Se estiverdes comigo, estareis sempre com Jesus, porque eu nunca largo a sua mão, nem mesmo quando desço ao mundo para vos avisar que se vos afastardes do caminho, vos afastais de Jesus, vos afastais do meu regaço e assim me é mais difícil proteger-vos daquele que vos quer perder”.
E assim todos os dias sorrindo, Ela olha para Jesus e diz-lhe: “Vê como são bonitos, vê como te desejam tanto, mas são tão fracos. Meu Jesus adorado, não olhes às suas fraquezas, mas apenas ao teu amor e tem misericórdia dos meus filhos”.
Mãe querida, deixa que nos sintamos felizes ao teu colo materno.
O Pároco
Pe. Aníbal Pinto
Liturgia e música, um mundo de sentido(s)...
Um jovem e talentoso pianista quis tocar uma das peças mais difíceis do “Catálogo os Pássaros” de Messian. Foi o próprio compositor que um dia escreveu acerca dele dizendo: «Ele teve de se familiarizar com as paisagens e com os pássaros antes de se meter ao trabalho; ele foi de uma honestidade exemplar e o resultado é magnífico» (Messian 221). Isto faz todo o sentido e pode ser aplicado a todas as formas de arte. Imagine-se um pintor a querer exprimir o voo de uma águia sem nunca se ter ocupado de a observar deslocando-se aos locais onde elas se encontram. Por mais talentoso que fosse o pintor, faltaria verdade na sua obra. Só quem agarra as coisas por dentro e gasta tempo em fazê-las suas, pode dizê-las aos outros na sua arte.
Estas afirmações encontram um sentido ainda maior quando nos referimos à arte litúrgica, mais propriamente a música, que é o objecto do nosso estudo. Aqui é essencial, não só estar muito familiarizado com o que é a música, mas também dominar o verdadeiro sentido da liturgia e a riqueza dos vários momentos que a constituem. Aqui, liturgia e música existem porque estão a acontecer, sempre num diálogo entre alguém que chama e outro alguém que responde, entre alguém que fala e outro alguém que escuta.
Se, na liturgia, acontece o encontro entre Deus e o homem, numa relação única de amor que parte da iniciativa de Deus, que outra linguagem, que não a artística, poderia
expressar melhor esse momento? O homem sempre usou das suas capacidades artísticas para manifestar o espanto, o deslumbramento e a sua surpresa perante a gratuidade do amor divino. A arte é a linguagem, por excelência, para dizer o transcendente, ela é a resposta generosa do homem que não pode permanecer calado perante Deus que, assim, o interpela.
Olhando as coisas deste modo, podemos dizer que a música tem, na liturgia, um papel fundamental e insubstituível. Só que, aí, há que procurar encontrar um percurso que permita que a música se realize como arte, sem no entanto esquecer que é necessário encontrar uma estética que lhe permita enquadrar-se no todo da acção celebrativa em que tem lugar.
Podemos dizer, com verdade, que é assumido que após o II Concílio do Vaticano, a música litúrgica se afirmou como sendo parte integrante, e necessária, da liturgia. O que ainda falta fazer é passar para a celebração a mudança de mentalidade e atitude que daí derivam. «Cantar na liturgia continua a ser algo que se reduz à dimensão do estético e não vai à raiz da sacramentalidade, como deveria» (José Costa Antunes).
Cantar rezando e rezar cantando deve ser o horizonte que perseguimos ao pensar a música para a liturgia. É inegável a facilidade com que a música ajuda o homem a transcender-se, mas atenção para que não seja uma melodia bem executada e, no entanto, estéril. Dizia Santo Agostinho que «cantar é próprio de quem ama».
Há-de ser, tem de ser, esse amor a fazer ecoar o canto do nosso coração.
Hugo Gonçalves
O acólito instituido
O termo acólito vem do grego, akoluthein (acompanhar, seguir), por sua vez, de keleuthos (caminho).
Já desde os primeiros séculos temos testemunhos de que, entre os vários ministérios litúrgicos, existia o do acólito, que, conforme o referi no texto do mês passado, juntamente com outros ministérios, se converteu numa das quatro «Ordens Menores».
Paulo VI, no seu Motu proprio de 1972, Ministeria quædam, no seguimento do Concílio de Vaticano Segundo, suprimiu as quatro ordens menores até então existentes e deixou como «ministérios instituídos» o de Leitor e o de Acólito, este à volta do altar e dos sacramentos.
Este ministério, tal como o de leitor, pode também ser objecto de instituição pelo Bispo Diocesano, de entre leigos, do sexo masculino, e que se preparam para receberem o sacramento da ordem, seja no grau do diaconado ou no do sacerdócio.
Não há instituições de acólitos sem ser com vista à ordenação. Os acólitos que colaboram nas celebrações eucarísticas das nossas paróquias são, regra geral, não instituídos, mas apenas leigos investidos nessa função de colaboração, ou acompanhamento nas celebrações.
Por esse facto é que é diferente o papel do acólito instituído do não instituído.
Vejamos, pois, quais as principais funções do Acólito instituído.
Comecemos por referir que no momento da instituição do Acólito pelo Bispo Diocesano, o rito prevê a entrega simbólica da patena com o pão ou do cálice com vinho, simbolizando a sua função principal de serviço ao Altar.
Essa função é também expressa quer no Missal Romano quer no Cerimonial dos Bispos que explicam os diversos ministérios do acólito referindo como tal que lhe cabe: atender ao serviço do altar, ajudar o sacerdote e o diácono, prestar o seu serviço nas diversas procissões, por exemplo, com a cruz, o incenso ou o livro, preparar o altar e purificar, no final, os vasos sagrados, atender, no ofertório, à recolha dos dons, distribuir a Eucaristia como ministro extraordinário, expor e guardar o Santíssimo, embora sem dar a bênção, instruir outros ajudantes e meninos de coro.
O desempenho destas funções ministeriais, implica e exige do Acólito instituído uma atitude espiritual que aponta para a Eucaristia, para o amor dos sacramentos, para o culto eucarístico, para a oferenda de si mesmo e para o cuidado dos outros, sobretudo, os mais necessitados e doentes.
É claro que também se chamam «acólitos» aos que, sem estar «instituídos» neste ministério de maneira estável e oficial, colaboram com o seu serviço à volta do altar. Estas crianças ou jovens realizam os mesmos serviços, excepto a distribuição da comunhão ou a sua exposição para o culto, o que marca de forma significativa a diferença entre uns e outros. Os Acólitos instituídos são ministros instituídos para o serviço do Altar através de uma forte ligação a Cristo Eucarístico que deve passar pela adoração e entrega total a esse grande mistério da vida Cristã. Por seu lado os Acólitos não instituídos são leigos que auxiliam os ministros ordenados nas celebrações cristãs.
Cabe pois, ao povo cristão auxiliar os Acólitos ordenados a crescerem na sua fé e entrega total ao Mistério Eucarístico de Cristo Ressuscitado levando-o a ver a figura de Cristo presente não só no pão e no vinho consagrados no Altar da Eucaristia, mas também no rosto de todos os irmãos que sofrem.
Da parte do Acólito instituído, cabe-lhe abrir o seu coração e deixar que o mesmo se encha de Cristo Ressuscitado presente na Eucaristia, fazendo d’Ele o seu alimento de cada dia, sem nunca esquecer que este alimento só se realiza plenamente se acompanhado da entrega à Palavra de Deus (por isso é que antes de ser instituído Acólito é instituído Leitor) e à caridade fraterna.
Carlos Miranda
TESOUROS EM VASOS DE BARRO...
Dia 1 de Abril de 2009. Seminário Maior de Cristo-Rei, Olivais. Instituições.
Sempre que entro numa Igreja num cortejo litúrgico, sinto-me arrebatado para uma realidade que me ultrapassa largamente. Foi assim que me senti no dia em que fui instituído Leitor ao entrar, naquele dia, na Igreja do Seminário que estava cheia. Entre familiares e amigos, muitos foram os que quiseram participar nesta celebração que juntou gente vinda das paróquias de origem e das paróquias de trabalho pastoral dos seminaristas instituídos. Foi um dia de festa para a Igreja de Lisboa.
O Ministério de Leitor faz parte das etapas pelas quais os candidatos ao sacerdócio têm de passar. Sendo o primeiro passo, reveste-se de uma importância singular. A Igreja confia um ministério e, ao mesmo tempo, confirma-o como sendo digno de o assumir.
Para o candidato é a primeira grande resposta à vontade de Deus. Por isso, a Igreja tem tanto cuidado com todo o processo, enviando questionários às comunidades cristãs que contactam com o candidato para que estas se pronunciem sobre a sua aptidão para desempenhar o ministério. É uma forma de exercermos a nossa co-responsabilidade na formação dos seminaristas mas, sobretudo, na construção da Igreja da qual todos somos membros.
Juntamente com mais sete colegas fui instituído Leitor e, no mesmo dia, outros dois foram instituídos acólitos (a etapa seguinte). Ser Leitor tem como tarefa principal e mais visível a proclamação da Palavra de Deus na liturgia mas é um pouco mais do que isso. Tem a ver, essencialmente, com o serviço à Palavra de Deus, fazendo-a chegar aos ouvidos da comunidade, ajudando a interpretá-la e a perceber-lhe os desafios. Por isso, é um ministério que está orientado para a catequese, para a preparação para os sacramentos, para a formação de leitores nas paróquias, para a orientação de grupos corais que têm a missão de cantar a Palavra de Deus, entre outros serviços.
Muitas são as possibilidades de aplicação prática do meu ministério, mas há um outro aspecto em que procuro focar-me essencialmente. Ser ministro da Palavra para a levar aos outros, não deixa de fazer surgir em mim o anseio de a escutar atentamente, procurando rezá-la e deixá-la ecoar no silêncio onde Deus fala e aponta caminhos novos para a minha vida. Só vivendo da Palavra, poderei anunciá-la a outros.
Deus, muitas vezes, confia-nos dons muito preciosos dos quais não nos sentimos à altura. Acontece assim comigo, agora. Nesta etapa da minha caminhada, peço a vossa oração e aproveito como minhas as palavras de São Paulo: “TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE”!
Hugo Gonçalves
MENSAGEM DE QUARESMA DO CARDEAL PATRIARCA DE LISBOA
Jejuar para melhor amar
1. O Santo Padre Bento XVI, na sua Mensagem para a Quaresma, convida-nos a redescobrir o sentido e o valor do jejum, tendo-nos recordado primeiro que o jejum faz parte de um conjunto de práticas penitenciais muito queridas à tradição bíblica e cristã: a oração, a esmola e o jejum. Ao acentuar uma delas, não esquece que são indesligáveis entre si, citando São Pedro Crisólogo: "O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum. Portanto quem reza jejue; quem jejua tenha misericórdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto, em seu benefício, o coração de Deus, não feche o seu a quem lhe suplica".
A Mensagem do Santo Padre é proposta para toda a Igreja e, portanto, também para a Igreja de Lisboa. Não teria sentido contrapor-lhe uma mensagem minha. Quero apenas ajudar a concretizar, no contexto da nossa diocese, o que pode significar valorizar o jejum. À partida, penso que devemos acentuar a íntima relação que há entre jejuar, procurar o rosto do Senhor na oração e abrir o nosso coração ao amor dos irmãos, no fundo descobrir que se jejua para amar e que dificilmente o nosso amor atinge a pureza da caridade se não procurarmos, com gestos concretos de desapego das coisas materiais, a pureza e a transcendência de Deus.
Para as leituras bíblicas de cada Domingo, clique aqui.
Jejuarão quando o
Esposo lhes for tirado
2.. Gostaria de partir de um texto do Evangelho, que sempre me tocou, porque nele Jesus anuncia o sentido profundo do jejum:
“Estando os discípulos de João e os fariseus a jejuar, vieram dizer-lhe: porque é que os discípulos de João e os fariseus guardam jejum, e os teus discípulos não jejuam? Jesus respondeu: poderão os convidados para a boda jejuar enquanto o Esposo está com eles? Enquanto têm consigo o Esposo, não podem jejuar. Dias virão em que o Esposo lhes será tirado e então, nesses dias, hão-de jejuar” (Mc. 2,18-20)
O Esposo é Ele, a intimidade com Ele tem a alegria das núpcias. Para quem experimentou e deseja esse convívio, a Sua ausência pode revestir-se de grande sofrimento espiritual. O “vem Senhor Jesus” foi sempre oração da Igreja que exprime esse anseio doloroso. Jesus dá uma dimensão mística ao jejum. Se se refere, em primeiro plano, aos dias da Sua paixão, abarca nas Suas palavras toda a densidade de quem o procura, a dureza da oração, a obscuridade da fé, a intensidade dolorosa de um desejo, que nenhuma fruição de bens materiais satisfaz, uma fome que nenhum alimento deste mundo sacia. Jejuar, como renunciar e partilhar os seus bens, torna-se sinal de que pomos o nosso coração nessa sede de Deus, nesse anseio de intimidade com o Senhor.
O Esposo foi-nos tirado e prometido. O caminho do encontro é o caminho da fé, na oração, na ascese, na caridade vivida. Sabemos que Ele está connosco; mas a Sua presença não anula a ausência. Buscar o Seu rosto convida-nos a não pormos o nosso coração nas coisas deste mundo.
Como esta mensagem de Jesus pode ser iluminadora para quem hesita em responder às inquietações do coração, para quem sofre o desgaste da dúvida, para aqueles que não aguentam a persistência num caminho de oração, o único que pode proporcionar, quando Ele nos deu esse dom, a alegria da presença e da intimidade. A vida cristã é um caminho exigente e austero, na atitude corajosa e generosa de quem espera a vinda do Esposo.
O Esposo ausente torna-se presente naqueles que o mundo não convida
para o banquete
3. "O que fizestes ao mais pequenino dos meus irmãos, foi a Mim que o fizestes" (Mt. 25,40). A esses que o mundo não convida para o banquete, só a nossa caridade os pode introduzir no festim e fazê-los participar das alegrias das núpcias. O jejum toma então a forma da renúncia e da partilha. O Santo Padre abre-nos para essa concretização do jejum: "O jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação em que vivem tantos irmãos nossos. Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre. Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente”.
A nossa Diocese tem já uma longa experiência de jejum sob a forma de renúncia quaresmal, cujo fruto canalizamos para ajudar os que mais precisam. Nos últimos anos temos constituído um “Fundo de Ajuda Inter-Eclesial”, através do qual ajudamos Igrejas mais pobres de todo o mundo que batem à nossa porta.
Mas este ano quero propor-vos um outro destino para a nossa renúncia quaresmal: a ajuda às crianças em risco, de modo particular através da Casa do Gaiato de Santo Antão do Tojal que a diocese assumiu, numa circunstância em que a Obra da Rua já não a podia manter.
4. Façamos da nossa Quaresma uma caminhada ao encontro do Senhor Ressuscitado, sabendo que o caminho é árduo e exigente, porque exige a conversão e a coragem da esperança, sabendo que as renúncias escolhidas são mais libertadoras do que as que nos são impostas e não esquecendo que o jejum, isto é, a privação e a renúncia, são uma pedagogia para Deus, um caminho para aprender a amar.
Lisboa, 2 de Fevereiro de 2009, Festa da Apresentação do Senhor
† JOSÉ, Cardeal-Patriarca